VERSATILIDADE

VERSATILIDADE

Meu corpo, minha casa:
dá pra se sentir em casa sem estar em casa?

Ou ir na praia com a mesma roupa do almoço de família, que é a mesma da reunião com o cliente, da sessão cinema em
casa, do churrasco com os amigos, e do jantar a dois? Ouvimos o tempo todo que devemos nos adequar dependendo da
situação. Por outro lado, há quem diga que devemos ser a mesma pessoa em todos os ambientes e contextos.

Mas como a gente pode ser a gente mesmo o tempo todo e em todos os lugares, se existe uma roupa pra cada
coisa – e nem sempre ela está pronta pra refletir o que a gente esta?

O conforto e a tal ‘roupa de ficar em casa’

É inevitável dizer que o momento que estamos passando, embora complexo e desafiante, tem sido fértil para reavaliar
isso tudo. Antes, por exemplo, roupa de ficar em casa‘ era amada em segredo: além daquele desgaste natural do tempo,
se encaixava com o nosso tempo: tempo de descansar, de fazer coisas mais de dentro do que de fora. Talvez por isso se
encaixam tão bem: vestem mais que o nosso corpo, mas a nossa alma.

Se parece exagero, vale lembrar que até a origem da palavra conforto‘ não nos deixa negar, já que
vem de cumfortare, que em latim é algo como aliviar a dor ou a fadiga, associando-se a “um estado prazeroso
de harmonia física e psicológica entre o ser humano e o ambiente”, como esse cara chamado
Slater já tinha dito lá nos idos de 1985.
Contudo, para nossa insatisfação, isso tudo costumava ser um benefício exclusivo, realmente, da casa.
Para sermos mais específicos, no máximo no perímetro entre o quarto e cozinha: a varanda já estava fora
de cogitação. E aí, claro, colocar uma roupa mais apresentável pra ir à padaria ou mercado já podia ser uma tortura.
Agora, ainda bem, já temos roupas com as quais podemos dormir, comprar pão, levar o lixo — e até
aparecer numa vídeo-chamada. Mas algumas coisas não mudaram totalmente: pensar em se vestir para
passar um dia todo fora ainda exige algum planejamento.  Parece que ou a gente escolhe encarar o dia-a-dia
normal, ou a gente dá ouvidos àquela vontade maluca de parar, nem que seja só por alguns minutos,
no meio do caminho para olhar o mar e pisar na areia.
Uma roupa errada‘ que a gente veste, pode colocar cercas que limitam a forma como vamos viver hoje.
Não amanhã, não final de semana. Hoje.
Antes, porém, isso parecia o tipo de coisa que faz parte, obrigatoriamente.
Era normal a gente ter que decidir: ou ficava confortável e livre, ou adequado‘ para as coisas da vida adulta‘.

Questionamentos em equilíbrio

Mas estar tanto tempo no conforto de casa e ao mesmo tempo resolvendo coisas ―sérias nos trouxe questionamentos
que estavam adormecidos: por que tem que ser assim? Quem ta em casa não pode estar arrumado? Quem ta na rua não
pode estar tão confortável como se tivesse em casa? De onde a gente tirou essa mania de limitar e amarrar tudo?
Pensando em nisso, a questão da versatilidade, que sempre nos agradou, ganhou potência. A gente sabe que é um jogo
de corpo e que a vida muitas vezes exige passos mais cuidadosos. Só que, como em toda boa dança, é preciso equilíbrio:
nenhuma coreografia sobrevive com rigidez. É preciso saber quando pisar firme e também quando soltar: perder o
ritmo pode deixar todo o espetáculo estranho.
Não do tipo que você pode desligar a tevê e ir dormir porque foi ruim: do tipo que ou você vive, ou você não vive
(e pode descobrir só bem depois). Nem só de camisa e alfaiataria vive o homem, nem só de camiseta e chinelo. A gente
é um conjunto de sentimentos, demandas, urgências, desejos: e tudo isso é muito válido, rico e importante para (nos) dar sentido.
Deve ser por isso que todo mundo anda cada vez menos disposto a mascarar. E as roupas, como fazia tempo não
víamos, vêm servindo pra evidenciar nossa busca não só por aconchego e facilidade, como também da necessidade de
sentir que os limites da nossa casa são maiores do que nos contaram: o mundo é muito grande pra ser tão pequeno.
Então, o que é apropriado‘ quando a gente permite que nosso espírito nos guie para as situações que queremos viver?
Pode usar chinelo com calça? Calça e tênis na praia? Chinelo com meia? Quem disse que roupa de ficar em casa‘ tem que
ser igual? Quem define isso? Porque só estar em casa é associado à ideia de estar confortável e gostoso?
Como a gente faz para se sentir assim, levando o corpo para onde o coração deseja passear?
A gente se preocupa tanto em estar combinando, em estar adequado. Mas quantas vezes a gente se permite vestir
nossa alma do jeito que ela quer? Se a gente parar de olhar pra fora, e começar a olhar pra dentro: o que realmente
combina com a gente?

Afinal, como vestir tanta versatilidade?

Versatilidade: Característica ou qualidade do que é versátil, flexível, que pode ser alvo de mudança, de alterações e variações; flexibilidade.

Como vestir todos os nossos humores, toda a nossa humanidade, todas as nossas necessidades que surgem do nada? Ser versátil, muitas vezes, é confundido
com falta de autenticidade, mas na verdade é justamente o oposto:

Ser versátil é ser tão autêntico a ponto de permitir-se ser e experimentar com liberdade as possibilidades que vêm — de fora e de dentro.

Isso sempre nos guiou e cada vez mais tem servido de diretriz. Porque se nossa busca é por espaços que, embora vazios,
podem ser recheados de caminhos e escolhas individuais, nada seria mais natural que prover isso da melhor maneira
que encontramos: com roupas que vestem a alma de quem nasceu para ser livre.

Loucos, talvez, mas conscientes.

Nós vivemos e vestimos nossa verdade. Por isso, temos construído as peças que nós mesmos gostaríamos de usar:
que nos permitam ser da praia ao escritório. Que podem ser usadas onde você quiser. Que te permitem explorar com
estilo e conforto a melhor casa do mundo: a nossa.

Enfim! Pra resumir e reforçar: roupa não é pra amarrar a gente, nem pra mascarar nossa alma, mas pra evidenciar o
que só a gente é, com todo o direito de ir, vir e até ficar – ora, por que não?
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