ONÇA-PINTADA, QUEM FOI QUE TE SALVOU?

ONÇA-PINTADA, QUEM FOI QUE TE SALVOU?

Não é de hoje que a gente ta sempre “inventando moda” fora da moda. E uma das nossas maiores preocupações é
entender como podemos fazer mais que roupas. Por isso, hoje, vamos fazer diferente: ao invés de ‘falar’ vamos ‘ouvir’.

E como ainda não estamos habilitados para entender o idioma da Esperança, da Garoa, da Chuva, do Bahati – e de
tantas outras onças que foram, de alguma forma, salvas – decidimos passar a palavra para nosso Indiana Jones. O
Joares May Jr.– um médico veterinário pra lá de “raiz” que tem feito um trabalho incrível e relevante.

Joares “Jones” May Jr.

O Joares é bem modesto. Mas vamos adiantar dizendo que ele é um médico-veterinário desde 1997, formado pela
UDESC (Universidade do Estado de Santa Catarina), especializado em medicina e manejo de animais silvestres e
exóticos e Mestre em Epidemologia Veterinária pela USP (Universidade de São Paulo) – e trabalha em projetos de
conservação de carnívoros desde 2003, no Brasil, Belize, Chile e Colômbia.

Ou seja: ele gosta de animais. Mas cachorro e gato são literalmente, coisa pequena. Vamos lá?! Segue com a gente e
confere tudo que ele falou pra gente sobre o trabalho dele.

Bom, pra começo de conversa, conta um pouquinho sobre você!

Hm… Meu nome é Joares Adenilson May Júnior, tenho 46 anos, sou médico veterinário, trabalho com conservação de
faunas e também sou professor universitário. Trabalho em projetos pela América Latina inteira, principalmente no
Brasil, nas regiões do Pantanal, Amazônia e Cerrado. Meu principal foco de trabalho são os felinos, principalmente os
de
grande porte.

E como foi sua jornada até aqui?

Bom, trabalho com conservação de felinos há muitos anos. Mas me formei em 1996 em medicina-veterinária. Dos
animais selvagens, tive um desvio e fui trabalhar com  animais de zoológico. Depois, migrei para fauna de vida livre.
Mais precisamente desde 2004 estou focado na onça-pintada.

E por que a onça?

A minha ideia sempre foi utilizar o meu serviço, o meu trabalho, pra trabalhar com os animais de topo, como a
gente chama. Ou seja, quando eu identifico os problemas de
saúde desses animais, consigo projetar um reflexo do
que existe naquele ambiente.

Então se uma onça precisa de várias presas (como capivara e jacaré) para sobreviver, esses animais todos
precisam de muita área, e toda essa área precisa de água. Portanto,
se eu preservar a onça eu preservo a água – e
consequentemente, pessoas. Ta tudo
interligado. Basicamente, isso nos permite ver se essa cadeia alimentar ta
saudável ou
não. Através dos animais com os quais eu trabalho também consigo trazer isso como uma forma de
saúde para as pessoas, a longo prazo. Então eu trabalho com conservação
porque eu acredito, porque eu acho
bacana, porque me completa mas eu procuro dar
um dinamismo e um encaminhamento melhor para que seja algo
de resposta para a
sociedade. Não adianta a gente querer conservar os animais só porque são bonitos – temos que
conservar a natureza porque é útil principalmente pro nosso futuro.

Pensando em futuro e em longo prazo… Como seu caminho cruzou com o da Empty?

Na verdade… meu caminho cruzou com a Empty desde sempre (rs). Eu sou amigo de infância tanto do Tiago
quanto do Daniel – os dois irmãos que começaram. E acompanhei as viagens deles para Nova Zelândia, sempre
conversando com eles. Fomos sempre tão próximos que algumas pessoas até confundem e acham que somos
primos ou parentes. E quando surgiu a Empty, conversando com eles, que já conheciam o meu trabalho, notamos
que existiam vários pontos em comum na nossa visão de mundo e aquilo que queríamos fazer. Desde então a gente
começou a pensar e criar os preceitos básicos de ecologia, conservação, consciência e observação dentro da Empty,
pra podermos fazer algo em comum. Foi daí que surgiu a E.C.C.O e, depois o Onçafari. osso futuro.

O que exatamente é o Onçafari e como é seu papel lá?

Quanto ao meu papel, sou responsável pelas capturas e monitoramento sanitário dos animais. Mas existe muita
coisa feita lá, por uma equipe grande e multidisciplinar.
Resumindo, é uma associação que visa conservar o meio
ambiente e preservar a
biodiversidade enquanto contribui com o desenvolvimento das regiões por meio, por
exemplo, do ecoturismo. Lá, desde 2011, a gente coleta dados e analisa informações que dão um melhor
entendimento do comportamento das onças-pintadas e, a partir daí,
das melhores estratégias para conservar não
só esse animal que é o maior felino das
Américas, como todo o ecossistema onde ele está inserido. Mas em cada
projeto que eu
atuo existe sempre uma equipe de campo. São diversos profissionais entre veterinários, biólogos,
guias e engenheiros florestais que atuam no monitoramento dos animais em
vida livre e dão informações para
quando eu chego em cada local pra fazer a captura.
São pessoas que trabalham no campo, vivem do campo e
abriram mão de certo contato
com as cidades mas que dedicam suas vidas na conservação destas espécies e
tentando
fazer a diferença também.

Você mencionou a preservação das biodiversidades e também do meio ambiente.
Quais animais e regiões são beneficiados com este trabalho?

Bom, como o nome diz, a onça-pintada é onde damos mais ênfase, juntamente com o lobo-guará. Em relação às
regiões de atuação, além do Pantanal (onde tudo começou, lá no Refúgio Ecológico Caiman) o trabalho da Onçafari
também se estende para outras regiões riquíssimas, em todos os sentidos, como a Amazônia, o Cerrado e a Mata
Atlântica. Mas a ideia é chegar em todos os biomas nacionais, como o Pampas e Caatinga

Como você vê a parceria entre a Empty e Onçafari?

Bom, eu trabalho com o projeto Onça Fari desde o início, em 2009. O que sempre me motivou em atuar
profissionalmente na Onçafari é mostrar que existe a possibilidade de convivermos em conjunto. E por isso faz todo
sentido a proximidade da Empty – que busca nos aproximar da natureza – com a Onçafari, que leva pessoas para
perto
destes animais incríveis.

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